Nascentes do rio Araguaia - voçorocas

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Quanto mais árvores, mais água


Continuação da postagem Araguaia meu amor... que foi desmembrada para encurtar a página e atualizar as medidas tomadas com os resultados da ação da Agencia Ambiental de Goiás para a contenção da voçoroca Chitolina.

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Araguaia River - Goiás - Brasil - foto: Margi Moss

Este rio passa pelo sertão
como um bicho por uma estrada (...).
O rio alaga seu mistério, o rio ronca.
Este rio carrega o remorso dos afluentes,
segue o dorso das estradas, o rio.
Araguaia, eu sou teu pranto.

Do poeta goiano Gabriel Nascente

A beleza do Araguaia tem fortes clarões de tristeza. Em alguns trechos ele está ficando mais largo e com baixa profundidade, mostrando o que o homem é capaz de fazer sem pensar no futuro das gerações.
Conhecida pelos pastos e lavouras a perder de vista, a região de onde verte a água que alimenta o Araguaia, um dos principais afluentes do Rio Tocantins, sofreu um desmatamento implacável nos últimos 40 anos.


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Restos de floresta desmatada são queimados perto de plantações de soja em Mato Grosso.
 O rio Araguaia está em em alerta devido ao processo de desertificação que atinge suas nascentes. Pesquisa realizada pela geógrafa Rosane Amaral Alves da Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), indica o avanço dos areais nas nascentes da região Sul da Alta Bacia do Araguaia, entre Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a partir da década de 80, quando se intensifica o uso do solo para pastoreiro e plantações de soja.


A região das nascentes do rio Araguaia na Serra dos Caiapós em Mineiros-Go poderá ficar comprometida pela devastação da vegetação natural que está dando lugar a agropecuária . No lugar de minas e olhos d'água o que existe hoje são 17 voçorocas - imensas erosões com até 800 metros de extensão, 35 de largura e 15 de profundidade. O quadro é consequência do desmatamento desenfreado, inclusive de matas ciliares, e da não-conservação do solo, o que expressa um típico comportamento de agricultores sulistas: a soma de ganância e ignorância.

Erosões nas nascentes do Araguaia

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.A ►voçoroca, boçoroca ou ravina é um fenômeno geológico que consiste na formação de grandes buracos de erosão, causados pela chuva e intempéries, em solos, onde a vegetação é escassa e não mais protege o solo, que fica cascalhento e suscetível de carregamento por enxurradas. Pobre, seco, e quimicamente morto, nada fecunda.

O “estrondo” de uma voçoroca produz um som ensurdecedor, semelhante ao de uma avalanche. Do ponto de vista geológico, há várias regiões brasileiras onde o solo está em franco processo de formação.

Voçoroca Chitolina - foto de Rene Boulet

Voçoroca Chitolina

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Voçoroca Chitolina na propriedade homônima, vendo-se em primeiro plano, no canto direito, o rio Araguaia assoreado. Local acerca de 15 Km da nascente de dimensões alarmantes formada na cabeceira do rio Araguaia, na Fazenda Jacuba, em Mineiros, no Estado de Goiás.
A voçoroca soma mais de 90 grandes crateras no solo. A maior delas é conhecida como voçoroca chitolina e já levou cerca de 17 milhões de metros cúbicos de areia para o leito do Araguaia. A chitolina tem 2/5 quilômetros de extensão, por 70 metros de largura e 50 metros de profundidade.
Conforme explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Marco Gomes, as voçorocas que ameaçam o nascedouro do Araguaia foram provocadas pela agropecuária em solos inadequados, associada ao desmatamento crescente do Cerrado. O solo extremamente arenoso da região é facilmente carregado pelas chuvas. Sem a proteção do verde, escorre com a água que cavouca a terra e dá origem às erosões. Desmatamento e implantação de pastagens em terrenos inclinados e arenosos são as causas principais do surgimento daquelas voçorocas”, diz.

Voçoroca Chitolina - foto de Antonio Oliveira Loureiro
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Providências urgentes



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Marco nascente

Placa nas proximidades da voçoroca, na Fazenda Jacuba, em que governos e órgãos ambientalistas firmam acordo para a preservação do meio ambiente no País e, que, a sociedade fica na expectativa de resultados concretos, há muitos esperados. Foto de: Adilson Lopes Garcia

Banco de Sementes para reflorestar as nascentes em Mineiros


Banco de sementes para reflorestamento(16.03.07) ARAGUAIA.NET - O projeto de instituição do banco de sementes do solo para recuperar a voçoroca Chitolina, está em fase de finalização. A fonte de sementes do banco será a Chuva de Sementes – técnica em que sementes são espalhadas por distintos processos de dispersão. Como também a plantação das mudas de gameleiras.

Raízes da gameleira
Raízes da Gameleira

Agência Ambiental controla voçorocas no Araguaia

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A principal voçoroca do Rio Araguaia, a Xitolina, que fica na Fazenda de Milton Michelis, vizinha do Parque Nacional das Emas, está totalmente controlada por força de trabalho realizado pela Agência Ambiental de Goiás. O local recebeu cerca de cinco mil mudas de espécies da região, mil delas de gameleira que produz grandes raízes e protege contra a ampliação da voçoroca. A área degradada atinge cerca de dois quilômetros, foi toda cercada, impedindo a entrada de gado. A fiscalização ambiental tem se intensificado no Estado de Goiás com o fortalecimento e a modernização da Agência Ambiental. Os fiscais estão aptos a fazer todos os tipos de procedimentos e também informar e orientar sobre os licenciamentos ambientais. O geoprocessamento de imagens permite tanto conferir o avanço de desmatamento do cerrado quanto as iniciativas de recuperação desse bioma. O reflorestamento da principal nascente é resultado de parceria entre a Agência Ambiental e o fazendeiro João Pedro Michelis, dono da Fazenda Olândia, onde fica a nascente. Além de replantar e cercar as principais nascentes do Araguaia, a Agência Ambiental está criando o chamado "Corredor Ecológico", que vai ligar o Parque Nacional das Emas às nascentes do rio, num percurso de 2 quilômetros. Apesar de ainda existirem voçorocas no rio, as mais importantes nascentes já estão protegidas e cercadas num raio de 100 metros e toda reflorestada numa área de 145 hectares.

Foi construído um murundum (espécie de alto 'muro' de terra batida que evita que as águas da chuva despencam para dentro da voçoroca, levando cada vez mais terra e provocando deslizamentos das encostas). No fundo, onde antes tinha apenas terra vermelha e parecia cenário de lua, hoje a vegetação já está voltando e dentro de poucos anos, a voçoroca vai simplesmente 'sumir de vista' (porém continuará existindo) dentro da cobertura vegetal.

Clique no texto abaixo e leia


..Realizado reflorestamento que liga Nascentes do Rio Araguaia com o Parque Nacional das Emas





Rio Araguaia
Rio Araguaia
Em quase toda a extensão de seu curso, apresenta, no período que vai de maio a outubro, praias de areias brancas e limpas, o que, aliado a uma fauna e flora bastante rica em espécies e volume, vem despertando a atenção do turista e dos amantes da natureza no mundo inteiro. A atividade da pesca amadora reforça o poder de atração de toda a região.
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Espero que esse espaço tenha sido útil para você. Os artigos apresentados são frutos de pesquisas e informações colhidas na web, artigos acadêmicos, livros que após um estudo coerente entre as informações que mais se igualam sobre os temas, são selecionados para as postagens.
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Elma

O Gambá no Bioma Cerrado

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O gambá é um marsupial


Uma família "da pesada"

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Quando saem da bolsa da mãe ainda ficam por um bom tempo dependentes e agarrados em seu dorso.
Gambá capturado numa armadilhaOs gambás (Didelphis marsupialis) são animais com quarenta a cinquenta centímetros de comprimento, sem contar com a cauda, que chega a medir quarenta centímetros. Têm um corpo parecido com o rato, incluindo a cabeça alongada, mas com uma dentição poliprotodonte (que têm mais de dois incisivos ). A cauda tem pelos apenas na região proximal, é escamosa na extremidade e é preensil, ou seja, tem a capacidade de enrolar-se a um suporte, como um ramo de árvore.

clique sobre as miniaturas
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As patas são curtas e têm cinco dedos em cada mão, com garras. Têm marsúpio (bolsa externa de alguns mamíferos) como o cangurú e, ao contrário da maioria dos marsupiais, sua cauda é menor que seu corpo. Sua média de vida é de 4 a 5 anos

O mau cheiro do gambá



Gambá tem uma arma poderosa como defesaEle possui duas glândulas localizadas a cada lado da abertura anal que secretam um líquido malcheiroso,- ferozmente fedorento - um tipo de álcool chamado butilmercaptana que pode ser esguichado em até 4 metros de distância. Ocorre que aquelas glândulas só entram em ação quando o gambá está irritado ou se sente ameaçado. “É uma forma de defesa porque o forte cheiro acaba por afastar os animais que oferecem perigo”, explica a bióloga Fátima Viveiros Valente, da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Em situações normais, o gambá apresenta um cheiro característico muito mais fraco, como os outros animais.

Este mesmo odor é produzido pela fêmea na época da reprodução, para atrair o macho.
Outra estratégia para escapar dos perigos é o comportamento de fingir-se de morto até que o atacante desista.

O gambá finge-se de morto diante de um perigo.Seu hábito de fingir-se de morto é famoso. Com a aproximação do perigo o gambá amolece o corpo, deixa a cabeça pender para um lado, abre a boca e coloca a língua de fora. Embora pareça morto e nem sequer estremece quando gravemente mordido pelo predador, o cérebro do gambá permanece em plena atividade para identificar e aproveitar a menor chance de fuga.
De que forma o animal alcança esse aparente bloqueio total dos sentidos é um mistério insolúvel para os zoólogos.

São solitários, porém, na época do acasalamento, formam casais para reproduzir. Neste período o casal constroi um ninho de galhos e folhas secas.

O gambá tem hábitos noturnos, ou seja, começa a caçar e coletar alimentos durante o período da noite. A alimentação dos gambás consiste em ovos, frutos, vermes, insetos, lagartos, anfíbios e até mesmo filhotes de pássaros. Além de se alimentar de aves e seus ovos, o gambá tem especial predileção por sangue. Por isso, é conhecido como sanguinário.

Abre o pescoço, abaixo da cabeça, e rompendo a jugular de suas vítimas, se sacia com o sangue que jorra.
Sacrifica quantas aves puder apanhar, mesmo não bebendo o sangue de todas. A seguir, entra num estado de torpor profundo, sendo encontrado pela manhã, ainda inebriado ou em êxtase, como de ressaca. Deste fato surgiu a crença que basta por uma caneca com pinga no galinheiro, que na manhã seguinte o gambá estará totalmente embriagado. Do fato surgiu o dito: "bêbado como um gambá".
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Um animal atípico

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Os gambás podem reproduzir-se três vezes durante o ano, dando dez a vinte filhotes em cada gestação, que dura de doze a catorze dias.

Quando nascem, eles caminham por meio do pelo da mãe, até a bolsa (marsúpio), onde completam seu desenvolvimento.
O embrião recém-nascido com cerca de 1 cm se arrasta até a bolsa da mãe
Na bolsa os embriões grudam no mamilo por uma (soldura temporária) até terminar a sua formação.
Na bolsa os embriões grudam no mamilo por uma (soldura temporária) até terminar a sua formação.
Como nos restantes marsupiais, ao invés de nascerem filhotes, nascem embriões com cerca de um centímetro de comprimento, que se dirigem à bolsa, onde ocorre uma soldadura temporária da boca do embrião com a extremidade do mamilo até completarem seu desenvolvimento na bolsa materna.

Assim, a fêmea marsupial investe pouca energia e recursos durante a gestação, mas a lactação requer investimento substancial. A composição do leite tem variações marcantes nos marsupiais. O primeiro leite é diluído e rico em proteínas, enquanto o leite posterior é mais concentrado e rico em gorduras. Os filhotes permanecem no marsúpio até uns 3 meses e, quando saem e, ainda não capazes de viver sozinhos, são transportados pela mãe em seu dorso.

Gambás - uma família de peso






Imagens: Daniel Lavenere, Carmine Marino, Wikypédia, Profimedia, Flávio Brandão, Marcos Grangeiro - outras:Web



Conheça um pouco dos hábitos de vida, habitat e reprodução do Tatú, um mamífero que possui uma couraça muito resistente e quando se vê em perigo se  enrola sobre o próprio corpo formando uma bola, daí o nome de Tatú-bola.

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Elma

Jaguatirica ou gato-do-mato

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Classificação

  • Nome: jaguatirica
  • Nome científico: Leopardus pardalis
  • Tamanho: de 95 cm a 1,45 m, peso entre 7 kg e 15 kg
  • Expectativa de vida: 20 anos
  • Hábitos: diurnos/noturnos
  • Alimentação: ratos, passarinhos e insetos
  • Distribuição geográfica: Florestas tropicais e subtropicais
  • Reprodução: gestação de 70 a 85 dias; nascem de um a quatro filhotes

Devido a sua pele muito bonita, a jaguatirica é bastante perseguida
Jaguatirica ocelote ou gato-do-mato é um felino originariamente encontrado na Mata Atlântica e outras matas brasileiras. Distribuída por toda a América Latina, é encontrada também no sul dos Estados Unidos.O termo "jaguatirica" tem origem na língua tupi, através da junção dos termos îagûara ("onça") e tyryk ("escapulir"), significando, portanto, "onça que escapole". Já o termo "ocelote" provém do termo nauatle ocelotl, que significa "onça". É um animal carnívoro, de hábitos predominantemente noturnos, mas sua atividade também já foi observada durante o dia.
A jaguatirica tem unhas bem afiadas, que são constantemente afiadas em cascas de árvores. Sua alimentação é variada, sua dieta inclui aves, pequenos mamíferos (macacos, morcegos e roedores), anfíbios, répteis e, em alguns casos, até peixes.
Quando mantida em cativeiro, este animal se alimenta de carne picada e pequenos animais abatidos. Refugia-se em árvores, grutas, troncos ou arbustos e é considerada um animal terrestre, porém sobe nas árvores com muita facilidade e ainda é capaz de nadar muito bem. São territorialistas, necessitam de uma área para sua sobrevivência que varia de 1 a 12 km e marcam o seu território com urina.

Jaguatirica acuada em cima de uma árvoreSão animais solitários, procuram um par somente na época de acasalamento. Caça principalmente no chão e alimenta-se de mamíferos pequenos e médios, como roedores, macacos, morcegos e outros. Come também lagartos, cobras e ovos de tartarugas e alguns são bons pescadores. Durante a noite chegam a invadir galinheiros onde causam grandes estragos. São inofensivas ao homem, mas defendem-se ferozmente quando atacadas. Muitas ainda são mortas por invadirem fazendas para se alimentar de galinhas e animais domésticos.
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Ela só vai buscar comida nesses lugares porque suas presas naturais estão cada vez mais difíceis de ser encontradas devido à degradação do meio ambiente e à invasão do homem no seu espaço. Por isso, a maior ameaça é a destruição de seu habitat. No Brasil, a jaguatirica é encontrada no Pantanal, Mata Atlântica, Cerrado e na Amazônia.
Nos Estados Unidos a espécie foi praticamente extinta. Vivem em florestas, campos, savanas e regiões alagadas.

A jaguatirica e seus filhotes

Geralmente a fêmea dá à luz em algum oco de árvore ou em uma moita de arbustos bastante densa, onde possa esconder os filhotes. Seu período de gestação é de 70 a 85 dias, nascendo de 1 a 4 filhotes que atingem a maturidade sexual aos 3 anos de idade.
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Jaguatirica e o comércio de pele

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No Brasil, mesmo sendo proibida, a caça à jaguatirica ocorre abundantemente no nordeste e menos em outras regiões. Isto se deve a grande procura pela pele deste animal, que é muito bonita. Além disso, existe também o contrabando de animais, visto que a jaguatirica é tida em muitos lugares como um bicho de estimação exótico.Devido a sua pele muito bonita, foi um dos felinos mais explorados para o comércio de peles. No Brasil, eram exportadas 80.000 peles anualmente . Com a lei de proibição à caça este comércio diminuiu e hoje a principal ameaça a este felino é a destruição de seu habitat. É classificada pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como espécie vulnerável e pelo IBAMA, como ameaçada de extinção.
Apesar da proibição infelizmente a caça clandestina ainda aconteçe no Brasil sob forte esquema de guarda dos interessados.

Passe o mouse na imagem e veja o que os assassinos da natureza fazem pela ganância - isto é um crime..
Retirando a pele da onça jaguatirica para venda - foto de Luiz Fernando Cruz
Retirando a pele da jaquatirica

Pele de onças apreendidas - Foto: Divulgação/PMA
Peles de onças apreendidas no Pantanal em MS


Fotos:Paulo Sousa, Luiz Fernando Cruz, Divulgação/PMA
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