Césio 137 – Marcas eternas



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As sequelas deixadas pelo césio não estão apenas nos corpos das vítimas

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Para a menina Leide das Neves - um caixão especial numa vala especial no Cemitério Jardim das Palmeiras em Goiânia

Sobre o acidente radiológico de Goiânia com o Césio 137 e de como foram sepultados os corpos assim como o lixo radioativos retirado das imediações de onde aconteceu o principal ponto de radiação e onde a cápsula foi rompida cujo conteúdo foi manuseado por parentes, amigos e vizinhos de Devair Alves Ferreira.
Já completou 22 anos que no ferro-velho de Devair uma cápsula de césio foi aberta para o reaproveitamento do chumbo. O dono do ferro-velho expôs ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCl), um sal muito parecido com o sal de cozinha (NaCl), mas que emite um brilho azulado quando em local desprovido de luz. Devair ficou encantado com o pó que emitia um brilho azul no escuro. Ele mostrou a descoberta para a mulher Maria Gabriela, bem como o distribuiu para familiares e amigos e ainda chegou a fazer um anel para a sua esposa, com fragmentos do Césio-137, tendo o seu braço amputado no dia seguinte, devido a alta intensidade raios gama. Pelo fato de esse sal ser higroscópico, ou seja, absorver a umidade do ar, ele facilmente adere à roupa, pele e utensílios, podendo contaminar os alimentos e o organismo internamente. Devair passou pelo tratamento de descontaminação no Hospital Marcílio Dias no Rio de Janeiro, e morreu sete anos depois.

Várias vítimas foram enterradas em caixões de chumbo para barrar a radiação
Gabriela Maria Ferreira, de 37 anos esposa do proprietário do ferro-velho Devair Ferreira. 
Gabriela ficou doente cerca de três dias depois de entrar em contato com a substância. Seu estado de saúde piorou e ela desenvolveu hemorragia interna, principalmente nos membros, olhos e do trato digestivo, além da perda de cabelo. Ela morreu em 23 de outubro de 1987, cerca de um mês após a exposição.

A cor da morte era de um azul brilhante


Assim que se percebeu a gravidade do desastre, começaram os questionamentos judiciais. Coveiros, a administração e os vizinhos do cemitério se rebelaram quando souberam que lá seria o destino do corpo da primeira vítima do acidente - a menina Leide. O enterro só foi possível depois que o pequeno corpo foi depositado em um caixão de chumbo lacrado de 700 quilos. Roupas e objetos pessoais das pessoas que tiveram contato com o Césio tiveram de ser descartados. O material contaminado resultou em 13,5 toneladas de lixo atômico, que devidamente embaladas em caixas e tambores e enclausurados em 14 containers foram enterradas em uma vala de 30 metros fechada por uma parede de concreto de 1 metro de largura, sobre a qual se ergueu uma montanha artificial. Esse monumento, na cidade de Abadia de Goiânia, a 22 quilômetros da capital, terá de permanecer isolado por 300 anos, tempo para que desapareça a radioatividade do material ali enterrada.

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Medição da radioatividade na população
Segundo a CNEN, os 19 gramas de material radioativo geraram 13,5 mil toneladas de lixo atômico

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mandou examinar toda a população da região. No total 112 800 pessoas foram expostas aos efeitos do césio, muitas com contaminação corporal externa revertida a tempo. Destas, 129 pessoas apresentaram contaminação corporal interna e externa concreta, vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. Porém, 49 foram internadas, sendo que 21 precisaram sofrer tratamento intensivo; destas, quatro não resistiram e acabaram morrendo.

Césio 137 - as consequências jurídicas e legislativas

A Associação das Vítimas do Césio 137 calcula que mais de 6 mil pessoas tenham sido atingidas pela radiação. O Ministério Público de Goiás reconheceu que houve menos de duas mil vítimas atingidas. Menos de 20 mortes foram reconhecidas oficialmente. Os números são questionados pela associação e pelo Ministério Público de Goiás, que contabilizam 66 mortes.

Rejeitos radioativos no depósito definitivo em Abadia de Goiás, a 22 km (14 miles) de Goiânia já é um dos pontos turístico do Estado. Estima-se em 300 anos o tempo médio que o material precisa ficar armazenado.

Local onde esteve por mais tempo a cápsula aberta do césio 137

Clique na imagem abaixo e veja o slide do Greenpeace sobre o césio 137


O que um acidente nuclear pode provocar no corpo humano

Veja no palco: Azul Esgotado

Veja nossa nova postagem com alguns dados atualizados em 13/09/2012 clicando na imagem abaixo

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Gabriela Maria Ferreira, de 37 anos esposa do proprietário do ferro-velho Devair Ferreira e ficou doente cerca de três dias depois de entrar em contato com a substância. Seu estado de saúde piorou e ela desenvolveu hemorragia interna, principalmente nos membros, olhos e do trato digestivo, além da perda de cabelo. Ela morreu em 23 de outubro de 1987, cerca de um mês após a exposição.

11 comentários:

  1. Elma, eu trabalhava como pesquisadora no IPEN (instituto de pesquisas nucleares) que faz parte da CNEN (comissão nacional de energia nuclear) em São Paulo quando isto aconteceu, foi horrivel. Nossos colegas da Proteção Radiologica que partiram para la para a monitoração não podiam se aproximar dos doentes mais que alguns minutos, tal era o indice da contaminação. Mesmo os médicos receberam doses altissimas de radioatividade e varios pontos do bairro foram contaminados.
    E tudo por irresponsabilidade da pessoa que abandonou o container com a fonte radioativa que foi para no ferro velho, pois ela sabia do que se tratava. Isto não devia ter acontecido, são em casos assim ou de acidentes (como o de Chernobil ou outros) que as pessoas incorporam materiais radioativos, a segurança em torno deles é enorme.
    Um grande beijo.

    PS: Desculpe, não estou conseguindo acentuar meu PC esta com problemas.

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  2. Maria Augusta
    O CNEN fez um trabalho extraordinário na época e até hoje eles dão assistência de monitoramento na área onde estão enterrados os containers.
    Acredito que quase ninguém do Brasil sabia desse perigo. O que aconteceu em Goiânia infelizmente serviu para conscientizar a população, autoridades e equipe que são responsáveis por esses aparelhos. Eu me lembro do abandono do local e nem imaginava que ali morava um perigo mortal.
    Minha irmã Jane foi uma das psicólogas convocadas para a "seleção" no Estádio Olímpico como também dar assistência às vítimas e nem ela sabia do risco que estava correndo quando as pessoas a tocavam ou até mesmo a abraçavam desesperadas e em prantos pelo ocorrido com amigos ou parentes ou com eles mesmos.
    Ela teve contacto físico com várias pessoas contaminadas, e mais tarde quando tomou conhecimento do perigo tentou obter algum atendimento preferencial e lhe foi negado, pois pelos exames básicos ela não apresentava nenhum sintoma de contaminação.
    Há uns 6 meses foi detectado nela um câncer raro de mama, precisou fazer cirurgia e tratamento com radioterapia, está bem mas de agora em diante vai estar em observação e fazer exames de 6 em 6 meses.
    Ela vai ver ainda se esse câncer tem alguma relação com a radiação do césio 137.
    Obrigada pelo comentário.
    Bejooo

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  3. Elma, imagino o perigo que correu a tua irmã. Ela não deve ter se contaminado, pois o Cs137 apresenta uma radiação gama muito energética e bem definida, se existisse contaminação isto seria assinalado pelos detetores das pessoas que a examinaram. Mas provavelmente ela recebeu a radiação se se aproximou das pessoas contaminadas, e os efeitos desta dependem do tempo de exposição, da distância à pessoa contaminada e da intensidade da contaminação, se ela não estava equipada com um dosímetro fica difícil saber qual foi a dose que ela recebeu e se este cancer foi consequência da exposição ao Cs137 ou não.
    Espero que o tratamento que ela recebeu funcione bem e que ela sare completamente.
    Beijos.

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  4. Elma, espero que sua irmã fique bem e com saúde.
    Fiquei impressionada com o seu relato. Me lembro bem de ter acompanhado pelos jornais e TV essa tragédia, que já tem 22 anos, mas que deve estar presente até hoje em cada uma das pessoas que sofreram com esse acidente e de seus familiares.
    Beijos.

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  5. Sonia
    Ela agora esta bem, não foi necessário retirar a mama mas apenas um quadrante foi feito a cirurgia plástica para reconstrução e ficou perfeito.
    A Maria Augusta perguntou se a Jane usava roupas de proteção eu digo que não. E muitos funcionários do CNEN também não usavam equipamentos de segurança, só alguns dias depois é que todos começaram a vestir macacões, mascaras, luvas e botas.
    Os funcionários da Prefeitura de Abadia de Goiás também não usaram equipamentos de segurança e nem os motoristas dos caminhões que fizeram a transferência dos containers, inclusive a imprensa e os mais entendidos sobre acidentes nucleares criticaram muito a CNEN na ocasião por isso.
    Hoje eu passo na rua 57 e ela está como antes. Tem moradores sim, mas acredito que sejam os mesmos, pois ninguém consegue vender seus imóveis naquelas imediações. Sei de uma pessoa que comprou uma casa ali a preço de banana.
    Onde era a casa de Devair hoje é apenas um terreno vazio cimentado.
    Obrigada pela visita.
    Bjs

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  6. o césio 137 foii realmente um perigo para a população goiana n gosto nem de imaginar quanto Leide Neves sofreu !!!!=((

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  7. ai pessoal depois disso q aconteceu com o japão ....concegui percebe que os brasileiros estão todos em pânico por causa da radiação

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  8. ... tristeza! moro aqui em Goiania, mas hoje não há muitas pessoas falando sobre o caso. Quando aconteceu ainda não tinha nascido, mas sei que foi horrivel!

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  9. Grande merda eu moro em goiania e peguei no cesio e estou vivo ainda

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  10. Obrigado Elma pelas informações. God bless you!

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Obrigada por sua presença no Caliandra do Cerrado.
Espero que esse espaço tenha sido útil para você. Os artigos apresentados são frutos de pesquisas e informações colhidas na web, artigos acadêmicos, livros que após um estudo coerente entre as informações que mais se igualam sobre os temas, são selecionados para as postagens.
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Fique a vontade e se puder deixe seu comentário. Um abraço

Elma