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Cerrado - a lenda do pequi


Pequi - fruto do Cerrado

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Todo goiano ama

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Pequizeiro florido
Flor do pequizeiro - foto de Roberto Okamura
Texto da escritora goiana Marieta Telles Machado.

Das tuas lágrimas nascerá uma planta que se transformará numa árvore copada. Ela dará flores cheirosas que os veados, as capivaras e os lobos virão comer nas noites de luar. Depois, nascerão frutos. Dentro da casca verde, os frutos serão dourados como os cabelos de Uadi. Mas a semente será cheia de espinhos, como os espinhos da dor de teu coração de mãe. Seu aroma será tão tentador e inesquecível que aquele que provar do fruto e gostar, amá-lo-á para jamais o esquecer. Como também amará a terra que o produziu.

Galhos de do fruto - foto de Vilson Volpato
Todos os anos, encherei, generosamente, sua copa de frutos, que os galhos se curvarão com a fartura. Ele se espalhará pelos campos, irá para a mesa dos pobres e dos ricos. Quem estiver longe e não puder comê-lo sentirá uma saudade doida de seu aroma. Nenhum sabor o substituirá. Ele há de dourar todos os alimentos com que se misturar e, na mesa em que estiver, seu odor predominará sobre todos. Ele há de dourar também os licores, para a alegria da alma.





A dinâmica dos Rios Voadores


Quanto mais árvores, mais água

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Quanto vale uma árvore?
Cada árvore pode produzir diariamente em média dependendo do tamanho, entre 300 a 500 litros de água. Uma árvore grande pode bombear do solo e transpirar mais de 1.000 litros de água num único dia. As raízes chegam até 20 ou 30 metros de profundidade sugando a água da terra. Os troncos funcionam como tubos. Quando transpiram, as árvores então liberam esse líquido convertido em vapor, fechando o ciclo que novamente alimentará a corrente no céu - a evaporação das florestas são transformadas em chuvas.

Um carvalho de grande porte pode transpirar 150 mil litros de água para a atmosfera a cada ano. Fonte: United States Geological Survey (USGS) (em português, "Pesquisa Geológica dos Estados Unidos").

Sem floresta não haverá água

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Caso a fronteira agrícola do país continue se expandindo, as consequências poderão ser extremamente severas, inclusive, para a própria agricultura, que não contará mais com o mesmo regime de chuvas para o abastecimento da produção.
Floresta intacta no Amapá, o estado mais florestado do Brasil
Floresta intacta no Estado do Amapá, o estado mais florestado do Brasil  possuindo 96% do seu território coberto por vegetação nativa. Fotos: (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba)

Fenômeno dos Rios Voadores


 
CAÇADORES DE NUVENS 
 Pesquisadores “surfam” as correntezas aéreas para estudar o fenômeno

Desde 2008, um projeto científico tenta conhecer melhor os rios voadores. O líder da pesquisa é Gerard Moss, engenheiro e explorador francês naturalizado brasileiro. O trabalho dele consiste em voar com um monomotor coletando vapor d’água. “Enquanto todos os pilotos evitam as nuvens, eu vou direto para elas”, diz. Em seu avião, Moss caça a umidade usando tubos de 40 centímetros resfriados a 70 graus negativos. Numa temperatura tão baixa, qualquer vapor que entra no tubo se transforma, imediatamente, em água. As gotas são então armazenadas para a análise em laboratório.

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Rios Voadores ou Rios Aéreos são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

O processo para formar um rio voador começa na água que evapora do oceano Atlântico e gera nuvens que vão para a floresta Amazônica. Quando chove na floresta, só uma pequena parte da água vai para os rios. O resto é absorvido pelo solo ou pelas árvores. Parte da água que não foi para os rios evapora (do solo ou pela transpiração das plantas) e forma novas nuvens cheias de vapor.
Nuvens da evaporação do mar levadas pelo vento a caminho da Amazônia - foto:Elma Carneiro
Nuvens da evaporação do mar  são transportadas pelo vento para formar chuvas na floresta Amazônica

 Transpiração das árvores da Amazônia

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Floresta em evaporação
Transpiração da floresta Amazônica
A floresta evapora e esse vapor se  transforma em nuvens
Da transpiração  são formadas as nuvens
As árvores da floresta Amazônica “bombeiam” as águas das chuvas de volta para a atmosfera, através de um fenômeno denominado evapotranspiração, ou seja, a água das chuvas que fica retida nas copas das árvores evapora e permanece na atmosfera em forma de umidade. É exatamente essa umidade que forma os rios voadores.
Como é praticamente impossível se distinguir o vapor d´água proveniente da evaporação da água no solo e da transpiração das plantas, a evapotranspiração é definida como sendo o processo simultâneo de transferência de água para a atmosfera por evaporação da água do solo e da vegetação úmida e por transpiração das plantas.

Pense nisso

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Com a “evapotranspiração” das árvores da floresta, chegam a se formar enormes rios de vapor de água que não podem ser vistos a olho nu.
O que se observa, nesse processo, é a importância da preservação da floresta Amazônica. Caso a fronteira agrícola do país continue se expandindo, as consequências poderão ser extremamente severas, inclusive, para a própria agricultura, que não contará mais com o mesmo regime de chuvas para o abastecimento da produção.

Rio Voador
A quantidade de vapor d’água transportada por esses rios voadores pode chegar a volumes maiores que a vazão de todos os rios do centro-oeste e ser da mesma ordem de grandeza da vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s). O Projeto Rios Voadores vai colocar uma lupa nestes processos, voando junto com os ventos, amostrando o vapor, coletando a chuva em busca das explicações e números. A resposta está na Amazônia.
Volume de água que circula pelo céu é similar à vazão do rio Amazonas.

Rio Voador - Foto Margi Moss/Projeto Rios Voadores



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  O desmatamento resulta na  perda de áreas úmidas

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Eu gostaria que mais pessoas 
se preocupassem com a terra,
tanto quanto  se importam com 
quem eles acreditam que a criou.

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Fractais - na natureza tudo é matemática

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A natureza é soberana

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Tudo na natureza segue um padrão de formas dentro das regras matemáticas de suas moléculas, nada é mágico sobrenatural ou por acaso. Tudo tem uma sequência somatória. Assim são os fractais na natureza da vida e das coisas.

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Os fractais representam aqueles objetos em que as partes, em separado, são semelhantes à estrutura geral do objeto. De forma mais simples: é quando a parte repete os traços do “todo”.

O padrão específico de uma figura vai se repetir em cada parte dela. A diferença, segundo os estudiosos, está no fato dessa repetição ser sempre em escalas menores de tamanho.
Cada raminho dos flocos vai ser parecido com o grande floco inteiro e podemos observar esse fenômeno nos flocos de neve.

Natureza matemática fractal presente até num floco de neve



Fractais (do latim fractus fração.quebrado) são figuras da geometria não-Euclidiana.

A palavra fractal deriva do latim (fractus, fração, quebrado) foi aplicada por Benoit Mandelbrot para se referir a objetos geométricos que não perdem sua estrutura em qualquer escala que sejam observado, ou seja, apresentam auto-semelhança.
Frequentemente são compostos por versões progressivamente menores de forma geométrica simples.
Mandelbrot Benoit foi um dos principais contribuidores para o estudo dos fractais nos anos 60, tendo mesmo cunhado a palavra fractal. Mas antes dele já muitos outros cientistas se tinham dedicado a problemas relacionados com os fractais. No séc. XIX, o matemático Weierstrass estudou funções com características fractais.
Existem fractais na natureza – a estrutura dos flocos de neve, a linha de costa de uma região, as estrutura de certas plantas, por exemplo, a couve-flor, em árvores e mariscos, assim como em qualquer estrutura cujas ramificações sejam variações de uma mesma forma básica.
Os fractais são mais do que imagens bonitas, pois podem ser utilizados para descrever objetos reais irregulares. Técnicas fractais também são utilizadas em algoritmos de compressão de imagem.
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Montanhas fractais

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"A superfície de uma montanha modelada num computador usando uma fractal: Começamos com um triângulo no espaço 3D. Acham-se os pontos centrais das 3 linhas que formam o triângulo e criam-se 4 novos triângulos a partir desse triângulo. Deslocam-se depois aleatoriamente esses pontos centrais para cima ou para baixo dentro de uma gama de valores estabelecido. Vai-se repetindo o mesmo procedimento mas fazendo os deslocamentos dos pontos centrais dentro de uma gama de valores que em cada iteração é igual a metade da anterior". Fonte: Wikipédia

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Uma animação com uma fractal que modela a superfície de uma montanha
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Os fractais da Natureza

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Palmeira sagu
Nuvens

Geometria


São formas geométricas abstratas de uma beleza incrível, com padrões complexos que se repetem infinitamente, mesmo limitados a uma área finita. Todas estas formas e padrões possuem algumas características comuns e há uma curiosa e interessante relação entre estes objetos e aqueles encontrados na natureza.

Um fractal é gerado a partir de uma fórmula matemática, muitas vezes simples, mas que aplicada de forma interativa produz resultados fascinantes e impressionantes. São formas que se caracterizam por repetir um determinado padrão com ligeiras e constantes variações (auto-similaridade)
Desenhos criados a partir de algoritmos (forma de geração de números) e podem apresentar uma infinidade de aspectos diferentes, não existindo uma aparência consensual. Contudo, existem duas características constantes nesta geometria: auto-semelhança e complicação fora do comum, complicação esta tão maior quanto maior for a complexidade da equação matemática que deu origem à figura. À parte do formalismo puramente matemático, pode-se definir Fractais, como nos ensinam algumas sumidades no assunto: “Objetos que apresentam auto-semelhança e complexidade infinita, ou seja, têm sempre cópias perfeitas de si mesmos em seu interior.”
A natureza é pródiga em utilizar fractais nas suas criações, é só verificar uma folha de samambaia, por exemplo, para constatar essa afirmação, qualquer pedacinho da folha é um retrato fiel do todo.
Os fractais das Samambaias
Galáxia um grande fractal
Leito de um rio e seus afluentes
Caramujo
Árvore - galhos
Ramificação fractal dos pulmões
Essa é uma formula universal que rege desde as menores bactérias até as baleias azuis ou as grandes árvores sequoias. Toda forma de vida é sustentada por esta forma de ramificação fractal que otimiza a utilização de energia, otimiza a forma que o oxigênio, sistema neural, nutrientes são enviados pelo corpo vivo.
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Girassol - sementes


Conjunto de Mandelbrot

Embora não aparentem, os fractais podem ser encontrados em todo o universo natural e em toda a ciência, desde o aspecto das nuvens, montanhas, árvores e relâmpagos, até à distribuição das galáxias e à economia de stocks e mercados.
Assim, o impacto dos fractais e da geometria fractal é bem evidente, quer na engenharia, nas comunicações telefônicas, na química, na metalúrgica, na arte, na matemática e, até no estudo de doenças crônicas e noutros campos da medicina.Por exemplo, na década passada, alguns estudos revelaram que um coração saudável bate a um ritmo fractal e, que um batimento cardíaco quase periódico, é um sintoma de insuficiência cardíaca.


Nervuras de uma folha de mamão


A simetria da borboleta, a partir do ponto central do corpo


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Veredas: Oásis do Cerrado


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O que são Veredas

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Garça-grande-branca no buriti - foto Elma Carneiro
As Veredas são subsistemas do bioma Cerrado, que podem ser entendidos como áreas pantanosas, formado geralmente por caminhos mal delimitados de água em solos hidromórficos, com presença da palmeira buriti (Mauritia vinifera e/ou M. flexuosa)

Uma das primeiras descrições das Veredas foi feita por von Martius, um alemão médico, botânico, antropólogo, cientista (formado em 1817) e um dos mais importantes pesquisadores alemães que estudaram o Brasil. Em suas viagens pelo Brasil (1817-1820), retratada em Viagem pelo Brasil, demonstrando um conhecimento das características físicas do ambiente do Cerrado e seus subsistemas: [...] as regiões situadas mais alto, mais secas, eram revestidas de matagal cerrado, em parte sem folhas, e as várzeas ostentavam um tapete de finas gramíneas, todas em flor, por entre as quais surgiam grupos espalhados de palmeiras e moitas viçosas. Os sertanejos chamam varredas a esses campos cobertos. "Encontramos aqui uma palmeira flabeliforme, espinhosa, a carimá, (Mauritia armata, M.), o maior encanto do solo; e, além daquela aqui mais rara, o nobre buriti (Mauritia vinifera, M.).  

Clique nas imagens para ver detalhes do fruto (coco) do buriti

O buriti bravo não oferece, como aquela outra, frutas comestíveis de polpa doce, cujo suco fermenta como vinho, mas é muito apropriado para construção do vigamento do telhado, nas cabanas dos habitantes. Além dessas, veêm-se, aqui e acolá, grupos de palmeiras indaia (Attalea compta). Elas formam as primeiras matas de palmeiras, a cuja sombra nos atreviamos a passar a pé, em sêco, e seguros de não toparmos com jiboias, nem jacarés".

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Imagem colhida do site Olhos do Cerradoo qual sugiro que conheça as maravilhas do Cerrado.
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Guimarães Rosa, em sua obra Grande Sertão: Veredas, faz uma das melhores descrições perceptiva do ambiente de Veredas:

  [...] Saem dos mesmos brejos – buritizais enormes. Por lá, sucuri geme. Cada sucuriú do grosso: voa corpo no veado e se enrosca nele, abofa – trinta palmos! Tudo em volta, é um barro colador, que segura até casco de mula, arranca ferradura por ferradura. Com medo de mãe-cobra, se vê muito bicho retardar ponderado, paz de hora de poder água beber, esses escondidos atrás de touceiras de buritirama. Mas o sassafrás dá mato, guardando o poço; o que  cheira um bom perfume. Jacaré grita, uma, duas, três vezes, rouco roncado. Jacaré choca – olhalhão, crespido do lamal, feio mirado na gente. Eh, ele sabe se engordar. Nas lagoas aonde nem um de asas não pousa, por causa de fome de jacaré e de piranha serrafina. Ou outra – lagoa que nem abre o olho, de tanto junco. Daí longe em longe, os brejos vão virando rios.
Buritizal vem com eles, buriti se segue, segue. Para trocar de bacia o senhor sobe por ladeiras de beira-de-mesa, entra de bruto na chapada, chapadão que não se desenvolve mais. [...].

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As Veredas estão secando no sertão de Minas Gerais, você já viu uma Vereda morta? 

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A presença da palmeira indica a existência de água, formando um oásis no meio do sertão. Veja mais sobre a extinção das Veredas na matéria Natureza da Globo em 19-10-2014 AQUI
Veredas ▬ áreas alagadas no Cerrado, cercadas de vegetação nativa, principalmente o buriti. Na imagem uma vereda com troncos dos buritis mortos e sem a folhagem.  Veja mais sobre a extinção das Veredas na matéria Natureza da Globo em 19-10-2014 AQUI
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Importância das Veredas


  1. 1 - A importância primordial das veredas como recurso ambiental é o fato de serem áreas     produtoras de água – nascentes que deveriam permanecer intocadas, em benefício dos rios a que dão origem e das comunidades bióticas que delas dependem.
  2. 2 - As veredas são subsistemas úmidos que participam do controle do fluxo do lençol freático.
  3. 3 - Sistema represador da água armazenada na chapada.
  4. 4 - Responsáveis pela manutenção e multiplicação da fauna terrestre e aquática.
Além disso...
  1. 1 - As veredas também possuem uma importância econômica e histórica.
  2. 2 - Importantes por serem determinantes para a fixação do homem no campo e desenvolvimento da região Cerrado.

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Córrego dentro da vereda, foto de Evandro F. Lopes

Na natureza nada é em vão


As Veredas se constituem em importante Subsistema do Cerrado, possuindo, além do significado ecológico, um papel sócio-econômico e estético-paisagístico que lhe confere importância regional, principalmente quanto ao aspecto de constituírem refúgios fauno-florísticos e por ser ambientes de nascedouros das fontes hídricas do Planalto Central Brasileiro, abastecendo as três principais bacias hidrográficas do Brasil.

A Vereda funciona como um filtro, regulando o fluxo de água, sedimentos e nutrientes, entre outros terrenos mais altos da bacia hidrológica e o ecossistema aquático. Pode ainda servir de refúgio para a fauna, numa área de ocupação agrícola e pecuária muito intensa, porém, a preservação das Veredas se impõe, sobretudo, pelo fato de que o equilíbrio dos mananciais d’água depende diretamente disto. Essa regulagem determina sua contribuição para o curso d’água, cuja área saturada se expande ou contrai, dependendo das condições da umidade depositada, ou seja, das precipitações e da capacidade de retenção e escoamento do solo.
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Foto - Bruno Rocha
No processo de ocupação do Cerrado, as Veredas eram vistas como áreas “perdidas” em função de seu aspecto brejoso. Diante disso, foram e continuam sendo constantemente queimadas para limpeza, plantações de culturas para subsistência e formação de pastagens a serem usadas no período da seca. Outros proprietários usam as Veredas como áreas para entulho de restos de desmatamentos. Mais recentemente, com o desenvolvimento de técnicas de irrigação, as Veredas têm sido utilizadas para construção de barragens com a finalidade de acúmulo de água a ser usada nos pivot e sistemas de irrigação.
Assim, vemos que não se cumpre o determinado na Legislação Brasileira, emitidas pelos órgãos “competentes”. Os órgãos institucionais auferidos da competência de gerir e fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental tem feito “vistas grossa” no que se refere à preservação das Veredas.

Um mágico por do sol  dentro de uma Vereda registrado pelo fotógrafo Evandro F. Lopes
As veredas constituem ecossistemas bem definidos que ocorrem no bioma do Cerrado brasileiro, e são caracterizadas pela presença do buriti em condições de drenagem pobre. As Veredas também podem ser consideradas feições geomorfológicas, porque elas somente ocorrem ao longo de vales pouco profundos, com baixa energia hidráulica e que alcançam dezenas de quilômetros, interligados aos sistemas de drenagem regionais do centro e de parte do sudeste brasileiros.

Parte de trechos extraídos do:  Observatório Geográfico de Goiás

Idelvone Mendes Ferreira –
Prof. Dr. do Curso de Geografia UFG/Campus de Catalão

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Cerrado - a caixa d'água do Brasil


Bercário das nascentes do Cerrado serão tombados


Quanto mais árvores, mais água


Bacia hidrográfica: corresponde à área drenada por um rio principal, seus afluentes e subafluentes, que formam, dessa maneira, uma rede hidrográfica. É usualmente definida como a área na qual ocorre a captação de água (drenagem) para um rio principal e seus afluentes devido às suas características geográficas e topográficas
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Bacia hidrográfica - ilustração colhida AQUI

Com topografia elevada e localizado estrategicamente no planalto central brasileiro, o Cerrado funciona como uma gigantesca caixa d'água.
Oito das doze bacias hidrográficas do País são irrigadas pelo bioma, as nascentes dos rios Tocantins, São Francisco e Araguaia, fortemente associados ao agronegócio e à geração de energia, serão tombadas pelo governo como patrimônio nacional, restringindo usos que representam ameaças à sua conservação e à continuidade de tradições populares.

Nascentes serão tombadas pelo Iphan

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O conceito de nascente não se restringe a um olho d’água, mas a todo o perímetro que engloba a principal bacia de drenagem formadora do rio. A partir de imagens de satélite, mapas e dados de campo colhidos por técnicos da Agência Nacional de Águas [ANA], o processo de tombamento será finalizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a quem caberá a análise prévia de intervenções urbanas e empreendimentos econômicos na área.
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Nascente do rio Tocantins entre Ouro Verde e Petrolina - GO - imagem: César de Oliveira
Nascente do rio São Francisco na Serra da Canastra - MG
Nascente do rio Araguaia em Mineiros - GO
As quatro principais bacias hidrográficas do Brasil são: a bacia Amazônica, do Tocantins, bacia Platina (Paraná, Paraguai e Uruguai) e a bacia do rio São Francisco. Juntas, elas cobrem cerca de 80% do território brasileiro, porém de forma bastante irregular.

Cerrado, o berço das águas

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Imagem: WWF-Brasil
A Bacia Hidrográfica dos rios Tocantins e Araguaia é a maior do país, com uma área superior a 1 milhão de quilômetros quadrados, representando 11% do território nacional. A região caracteriza-se pela presença de dois importantes biomas - Floresta Amazônica, que corresponde a 35% da área total, e Cerrado, que ocupa os 65% restantes.

Por trás da aparência ressecada dos meses de inverno, quando a umidade do ar cai a níveis alarmantes em algumas regiões, o Cerrado esconde uma identidade secreta: o bioma é um gigantesco coletor e distribuidor nacional de água, crucial para o abastecimento das regiões Centro-Sul, Nordeste, do Pantanal e até partes da Amazônia. Um serviço ecológico gratuito que corre o risco de ser racionado por causa do desmatamento.

Das 12 bacias hidrográficas do País, 8 estão inseridas no Cerrado. A localização central do bioma, combinada com sua elevação topográfica e alta concentração de nascentes, faz com que ele funcione como uma caixa d’água. Cerca de 94% da água que corre na Bacia do Rio São Francisco em direção ao Nordeste brota no Cerrado – apesar de apenas 47% da bacia estar dentro do bioma, segundo cálculos da Embrapa. Reportagem de Herton Escobar, enviado especial, no O Estado de S.Paulo.

No caso do sistema Araguaia-Tocantins, que corre para o Norte e vai desaguar no Pará, 71% da água da bacia nasce no Cerrado. A proporção é a mesma para o conjunto das Bacias do Paraguai e do Paraná, que drenam grandes áreas do Centro-Sul. “O rio é só o encanamento superficial pelo qual a água corre”, diz o pesquisador Felipe Ribeiro, da Embrapa. “Mas onde a água nasce é no Cerrado. As besteiras que a gente fizer aqui em cima vão repercutir rio abaixo.”

Implantação do Projeto de Irrigação Luis Alves do Araguaia, Município de São Miguel do Araguaia, Estado de Goiás - Daqui
E as besteiras já estão em curso. Estudos realizados pelo pesquisador Marcos Costa, da Universidade Federal de Viçosa, mostram que o desmatamento nas cabeceiras do sistema Araguaia-Tocantins aumentou a descarga dos rios em 25%, apesar de não ter havido mudanças nos índices pluviométricos da bacia. Ou seja: a quantidade de água nos rios aumentou, apesar de a chuva ter continuado igual.

Mais água, nesse caso, é má notícia. O problema é que o solo coberto por pastagens e lavouras absorve menos água do que o solo com vegetação nativa. Consequentemente, mais água escorre para os rios e é levada para fora do Cerrado, diminuindo a quantidade de umidade que fica disponível para os ecossistemas locais e a própria agricultura – além de aumentar o risco de enchentes para as comunidades que vivem rio abaixo.

Segundo Costa, se o desmatamento continuar, é provável que os níveis de precipitação no bioma também sejam afetados. “Acho que estamos próximos do limite em termos climáticos.”

O problema mais sério que vamos ter daqui dez anos é com a irrigação”, diz o pesquisador Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp.


A sobrevivência do Pantanal 

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Imagem: Lucas Leuzinger

"A sobrevivência do Pantanal depende diretamente da conservação do Cerrado”

O Pantanal também está de olho no problema. Praticamente todos os rios que deságuam no bioma nascem no Cerrado. “A sobrevivência do Pantanal depende diretamente da conservação do Cerrado”, diz o ecólogo Leandro Baumgarten, da ONG The Nature Conservancy. EcoDebate, 29/09/2009 "Quando se observa um mapa da rede hidrográfica do Brasil, percebe-se que no interior da região Centro-Oeste correm cursos fluviais para todas as direções. Por isso, o chamado Planalto Central é o mais importante dispersor de águas da rede hidrográfica brasileira. Quatro grandes bacias hidrográficas drenam áreas do Centro-Oeste de forma mais ou menos equivalente. A primeira é a Bacia Amazônica que drena a parte centro-norte de Mato Grosso onde correm vários afluentes da margem direita do rio Amazonas, como os rios Xingu, Juruena e Teles Pires, entre outros. A porção leste de Mato Grosso, o centro-norte e o oeste de Goiás são atravessados pelos rios da Bacia do Tocantins-Araguaia. Já, o centro-sul de Goiás e o centro-leste e o sul de Mato Grosso do Sul são cortados pelos rios da Bacia do Paraná. Por fim, toda a parte sul de Mato Grosso e a porção noroeste de Mato Grosso do Sul são atravessados por rios da Bacia do Paraguai." Geografia - Nelson Bacic Olic


Leia também: Bercário das nascentes

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As árvores retorcidas do Cerrado


Esboço da Árvore da Vida de Charles Darwin  

A origem do Cerrado


"Não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta a mudança." Charles Darwin

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Origem e Evolução das Plantas

Os primeiros seres vivos da Terra surgiram no oceano. Com o passar do tempo, apareceram espécies animais que se adaptaram à vida em outros meios, como a terra e o ar. As plantas seguiram um caminho semelhante. As primeiras formas de vida vegetal, as algas, também vieram da água. Depois destas surgiram vegetais como os musgos - aqueles tapetes verdes que se formam no cimento, na pedra ou na parede depois de um período de chuvas. Apesar de viverem em ambiente terrestre, os musgos precisam de locais úmidos e com pouco sol.
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A rica biodiversidade do  bioma Cerrado pode ter se originado de incêndios naturais ocorridos dez milhões de anos atrás.

Foto de Marcelo Simon/Embrapa
A origem do Cerrado coincidiu com a maior vulnerabilidade da região a incêndios naturais e por meio de análises genéticas, foi possível investigar a evolução das adaptações das plantas do cerrado ao fogo
O fogo teve papel importante na formação da flora do cerrado brasileiro. Essa é a conclusão de um estudo publicado esta semana na PNAS por uma equipe internacional de pesquisadores, que conta com a participação de brasileiros da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A pesquisa indica que os incêndios naturais são um dos motivos que fizeram do cerrado a savana tropical com maior biodiversidade do mundo.

Plantas com mais chances de sobrevivência


A hipótese levantada pelos autores do trabalho é que a origem desse bioma coincidiu com o avanço de gramíneas sobre a região, causado por mudanças climáticas ocorridas dez milhões de anos atrás e responsáveis também pela expansão da savana em outros lugares do mundo. Por serem muito inflamáveis, as gramíneas deixaram o local do futuro cerrado vulnerável a incêndios.
Devido às novas condições climáticas, as plantas mais adaptadas a ambientes secos e mais resistentes ao fogo tiveram mais chances de sobreviver na região. Aparentemente, esse ajuste não foi difícil, já que o surgimento do Cerrado foi relativamente rápido se comparado ao de outros biomas.
As características adaptadas ao fogo presentes nas plantas dos grupos estudados – como casca espessa e raízes profundas e grossas – levaram os cientistas a concluir que os incêndios naturais ocorridos no cerrado são talvez os ingredientes decisivos que culminaram com a riqueza de espécies do bioma. Essa conclusão se junta a outras evidências científicas que apontam a importância de fenômenos específicos em uma dada região para a formação de biomas com grande biodiversidade
A vegetação do Cerrado é influenciada pelas características do solo e do clima, bem como pela frequência de incêndios. Ciência hoje

O formato tortuoso das árvores do Cerrado se deve à ocorrência de incêndios. Após a passagem do fogo, as folhas e gemas (aglomerados de células que dão origem a novos galhos) sofrem necrose e morrem. As gemas que ficam nas extremidades dos galhos são substituídas por gemas internas, que nascem em outros locais, quebrando a linearidade do crescimento. Quando a frequência de incêndios é muito elevada, a parte aérea (galhos e folhas) do vegetal pode não se desenvolver e ele se torna uma planta anã. Pode-se dizer, então, que a combinação da sazonalidade, deficiência nutricional dos solos e ocorrência de incêndios determina as características da vegetação do cerrado.
 André Stella e Isabel Figueiredo
 Programa de Pequenos Projetos Ecossociais,
 Instituto Sociedade, População e Natureza.

Os troncos tortos podem também ser considerados como um efeito do fogo no crescimento dos caules, impedindo-os de se tornarem retilíneos, pois pelas mortes de sucessivas gemas terminais e brotamento de gemas laterais, o caule acaba tomando uma aparência tortuosa.
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Sou esse tronco retorcido, 
de casca grossa, 
chamado corpo. 
Arbusto silvestre, 
jacarandá-do-cerrado, 
planta nativa, 
mata cativa,
 viajante alado. 

Moisés Augusto Gonçalves



Clique nas imagens para redimensionar - efeito LightBox


O meu cerrado 



 Teus troncos tortuosos são a imagem 
 Da árida luta travada, oh vegetação!
 Nos tons beges da tua linda paisagem 
 Tens frutos, tens rosas, tens perfeição. 
 Se teus ventos sopram seca estiagem 
 Tuas nascentes matam a sede do chão 
Tua fauna assovia o canto selvagem 
 De pássaros que voam no seio da nação. 

 Deixa tua flora vestir-me, cerrado 
 Com teu manto de folhas ressequidas 
 Na noite do belo céu azul estrelado. 
 Quero apreciar tua beleza esquecida 
 Na casca grossa do tronco entortado 
 Que se retorce pela batalha da vida.  



Yuri Rodrigues Braz 
Poeta do Cerrado goiano

Fotógrafos identificados: João Guato-Humberto Russo-José Olegário