• A estação seca e o fogo no Cerrado

    Algumas espécies de plantas dependem do vento e também de ambiente seco para espalhar as suas sementes.Uma preocupação no período seco é o fogo. Porém, as espécies vegetais do Cerrado apresentam várias adaptações que as permitem contornar este problema, por exemplo, a presença de casca grossa e cortiçosa. Leia mais
  • Onça pintada nas matas do Cerrado

    A onça é o maior felino das Américas, com 80 cm de altura, comprimento em média 1,80 m (macho) e 1,40 m (fêmea) até podendo alcançar até 150kg. É o maior mamífero carnívoro do Brasil, necessita de pelo menos 2 kg de alimento por dia e é uma excelente caçadora e... Leia mais
  • Vegetação típica do Cerrado

    Os troncos tortos podem ser considerados como um efeito do fogo no crescimento dos caules, impedindo-os de se tornarem retilíneos pois pelas mortes de sucessivas gemas terminais e brotamento de gemas laterais, o caule acaba tomando uma aparência tortuosa. Leia mais
  • Tamanduá bandeira - em extinção

    No Brasil o tamanduá bandeira encontra-se em perigo de extinção, cujas fêmeas têm um único filhote por ano, muito pequeno e frágil, que é carregado nas costas da mãe até cerca de um ano de idade, tornando-se assim muito vulnerável aos predadores... (Na imagem com o filhote nas costas ). Leia mais
  • Preservação ambiental - Mata ciliar

    A Mata Ciliar tem uma grande importância ambiental, pois, exercem a proteção do solo contra processos erosivos com as chuvas em locais desprovidos de mata ciliar os sedimentos são carregados aos cursos de água ocasionando assoreamento Leia mais

Onça pintada caçando jacaré

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  A poderosa onça pintada acerta em cheio atacando diretamente no crânio da presa. É  o maior predador da América do Sul e não possui predador senão o próprio homem.

Originalmente as onças pintadas ocorriam desde o sul dos EUA até o Uruguai e Pampas argentinos. Sua distribuição geográfica foi reduzida em virtude da ocupação humana, sobretudo para a exploração agropecuária. 

A onça pintada já foi extinta dos EUA desde 1986, tendo sido avistada pela última vez no Arizona.

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Você poderá ver também outra emocionante caçada da onça pintada (macho) de 150 quilos matando um jacaré num golpe fatal com sua poderosa mordida no crânio, clicando na imagem  e ver  o vídeo no momento do ataque. É de arrepiar e você não pode perder. Vai lá...

Cássias-amarelas vestem Goiânia


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Goiânia é considerada a cidade mais arborizada do País e a segunda no mundo. A capital goiana perde, apenas, para Edmonton, no Canadá, que detém a concentração de 100 m² de árvores por habitante. São cerca de 950 mil árvores, sendo 382 espécies diferentes.
Sabe-se que o Cerrado possui duas estações por ano: uma chuvosa e outra seca. Porém, ao final da estação, mesmo com a secura e umidade do ar baixa, algumas espécies de árvores vestem suas ruas com flores coloridas dos ipês, o jacarandá mimoso a sibipiruna e dando um toque especial está no auge a florada da Cássia-imperial, chuva-de-ouro (Cassia fistula).
No Centro Oeste com um tempo de estiagem de 6 meses, nos últimos três que antecedem as chuvas, o clima fica extremamente seco com a umidade do ar em até 17 % e a temperatura variando entre 36 a 38°C, instala-se um ar de melancolia por entre suas ruas que por mais arborizadas sejam, até os pássaros normalmente alegres e barulhentos são pouco vistos.
A população anseia por chuvas, porém, se não fosse o tempo de estiagem não poderíamos ter o privilégio de nos encantar com tamanha beleza das nossas árvores como é o caso dos ipês que só dão sua florada com os últimos suspiros da estação seca.


Mais árvores de flores amarelas que enfeitam as ruas da cidade anteriores a Cássia-amarela desta postagem.
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Ipê amarelo



Sibipiruna



Cerrado - a lenda do pequi


Pequi - fruto do Cerrado

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Todo goiano ama

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Pequizeiro florido
Flor do pequizeiro - foto de Roberto Okamura
Texto da escritora goiana Marieta Telles Machado.

Das tuas lágrimas nascerá uma planta que se transformará numa árvore copada. Ela dará flores cheirosas que os veados, as capivaras e os lobos virão comer nas noites de luar. Depois, nascerão frutos. Dentro da casca verde, os frutos serão dourados como os cabelos de Uadi. Mas a semente será cheia de espinhos, como os espinhos da dor de teu coração de mãe. Seu aroma será tão tentador e inesquecível que aquele que provar do fruto e gostar, amá-lo-á para jamais o esquecer. Como também amará a terra que o produziu.

Galhos de do fruto - foto de Vilson Volpato
Todos os anos, encherei, generosamente, sua copa de frutos, que os galhos se curvarão com a fartura. Ele se espalhará pelos campos, irá para a mesa dos pobres e dos ricos. Quem estiver longe e não puder comê-lo sentirá uma saudade doida de seu aroma. Nenhum sabor o substituirá. Ele há de dourar todos os alimentos com que se misturar e, na mesa em que estiver, seu odor predominará sobre todos. Ele há de dourar também os licores, para a alegria da alma.





A dinâmica dos Rios Voadores


Quanto mais árvores, mais água

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Quanto vale uma árvore?
Cada árvore pode produzir diariamente em média dependendo do tamanho, entre 300 a 500 litros de água. Uma árvore grande pode bombear do solo e transpirar mais de 1.000 litros de água num único dia. As raízes chegam até 20 ou 30 metros de profundidade sugando a água da terra. Os troncos funcionam como tubos. Quando transpiram, as árvores então liberam esse líquido convertido em vapor, fechando o ciclo que novamente alimentará a corrente no céu - a evaporação das florestas são transformadas em chuvas.

Um carvalho de grande porte pode transpirar 150 mil litros de água para a atmosfera a cada ano. Fonte: United States Geological Survey (USGS) (em português, "Pesquisa Geológica dos Estados Unidos").

Sem floresta não haverá água

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Caso a fronteira agrícola do país continue se expandindo, as consequências poderão ser extremamente severas, inclusive, para a própria agricultura, que não contará mais com o mesmo regime de chuvas para o abastecimento da produção.
Floresta intacta no Estado do Amapá, o estado mais florestado do Brasil possuindo 96% do seu território coberto por vegetação nativa. Fotos: (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba)

Fenômeno dos Rios Voadores


 
CAÇADORES DE NUVENS 
 Pesquisadores “surfam” as correntezas aéreas para estudar o fenômeno

Desde 2008, um projeto científico tenta conhecer melhor os rios voadores. O líder da pesquisa é Gerard Moss, engenheiro e explorador francês naturalizado brasileiro. O trabalho dele consiste em voar com um monomotor coletando vapor d’água. “Enquanto todos os pilotos evitam as nuvens, eu vou direto para elas”, diz. Em seu avião, Moss caça a umidade usando tubos de 40 centímetros resfriados a 70 graus negativos. Numa temperatura tão baixa, qualquer vapor que entra no tubo se transforma, imediatamente, em água. As gotas são então armazenadas para a análise em laboratório.

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Rios Voadores ou Rios Aéreos são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

O processo para formar um rio voador começa na água que evapora do oceano Atlântico e gera nuvens que vão para a floresta Amazônica. Quando chove na floresta, só uma pequena parte da água vai para os rios. O resto é absorvido pelo solo ou pelas árvores. Parte da água que não foi para os rios evapora (do solo ou pela transpiração das plantas) e forma novas nuvens cheias de vapor.
Nuvens da evaporação do mar levadas pelo vento a caminho da Amazônia - foto:Elma Carneiro
Nuvens da evaporação do mar  são transportadas pelo vento para formar chuvas na floresta Amazônica - Foto aérea do mar em Fortaleza de Elma Carneiro.

 Transpiração das árvores da Amazônia

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Floresta em evaporação
Transpiração da floresta Amazônica
A floresta evapora e esse vapor se  transforma em nuvens
Da transpiração  são formadas as nuvens
As árvores da floresta Amazônica “bombeiam” as águas das chuvas de volta para a atmosfera, através de um fenômeno denominado evapotranspiração, ou seja, a água das chuvas que fica retida nas copas das árvores evapora e permanece na atmosfera em forma de umidade. É exatamente essa umidade que forma os rios voadores.
Como é praticamente impossível se distinguir o vapor d´água proveniente da evaporação da água no solo e da transpiração das plantas, a evapotranspiração é definida como sendo o processo simultâneo de transferência de água para a atmosfera por evaporação da água do solo e da vegetação úmida e por transpiração das plantas.

Pense nisso

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Com a “evapotranspiração” das árvores da floresta, chegam a se formar enormes rios de vapor de água que não podem ser vistos a olho nu.
O que se observa, nesse processo, é a importância da preservação da floresta Amazônica. Caso a fronteira agrícola do país continue se expandindo, as consequências poderão ser extremamente severas, inclusive, para a própria agricultura, que não contará mais com o mesmo regime de chuvas para o abastecimento da produção.

Rio Voador
A quantidade de vapor d’água transportada por esses rios voadores pode chegar a volumes maiores que a vazão de todos os rios do centro-oeste e ser da mesma ordem de grandeza da vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s). O Projeto Rios Voadores vai colocar uma lupa nestes processos, voando junto com os ventos, amostrando o vapor, coletando a chuva em busca das explicações e números. A resposta está na Amazônia.
Volume de água que circula pelo céu é similar à vazão do rio Amazonas.

Rio Voador - Foto Margi Moss/Projeto Rios Voadores



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  O desmatamento resulta na  perda de áreas úmidas

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Eu gostaria que mais pessoas 
se preocupassem com a terra,
tanto quanto  se importam com 
quem eles acreditam que a criou.

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Fractais - na natureza tudo é matemática

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A natureza é soberana

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Tudo na natureza segue um padrão de formas dentro das regras matemáticas de suas moléculas, nada é mágico sobrenatural ou por acaso. Tudo tem uma sequência somatória. Assim são os fractais na natureza da vida e das coisas.

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Os fractais representam aqueles objetos em que as partes, em separado, são semelhantes à estrutura geral do objeto. De forma mais simples: é quando a parte repete os traços do “todo”.

O padrão específico de uma figura vai se repetir em cada parte dela. A diferença, segundo os estudiosos, está no fato dessa repetição ser sempre em escalas menores de tamanho.
Cada raminho dos flocos vai ser parecido com o grande floco inteiro e podemos observar esse fenômeno nos flocos de neve.

Natureza matemática fractal presente até num floco de neve



Fractais (do latim fractus fração.quebrado) são figuras da geometria não-Euclidiana.

A palavra fractal deriva do latim (fractus, fração, quebrado) foi aplicada por Benoit Mandelbrot para se referir a objetos geométricos que não perdem sua estrutura em qualquer escala que sejam observado, ou seja, apresentam auto-semelhança.
Frequentemente são compostos por versões progressivamente menores de forma geométrica simples.
Mandelbrot Benoit foi um dos principais contribuidores para o estudo dos fractais nos anos 60, tendo mesmo cunhado a palavra fractal. Mas antes dele já muitos outros cientistas se tinham dedicado a problemas relacionados com os fractais. No séc. XIX, o matemático Weierstrass estudou funções com características fractais.
Existem fractais na natureza – a estrutura dos flocos de neve, a linha de costa de uma região, as estrutura de certas plantas, por exemplo, a couve-flor, em árvores e mariscos, assim como em qualquer estrutura cujas ramificações sejam variações de uma mesma forma básica.
Os fractais são mais do que imagens bonitas, pois podem ser utilizados para descrever objetos reais irregulares. Técnicas fractais também são utilizadas em algoritmos de compressão de imagem.
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Montanhas fractais

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"A superfície de uma montanha modelada num computador usando uma fractal: Começamos com um triângulo no espaço 3D. Acham-se os pontos centrais das 3 linhas que formam o triângulo e criam-se 4 novos triângulos a partir desse triângulo. Deslocam-se depois aleatoriamente esses pontos centrais para cima ou para baixo dentro de uma gama de valores estabelecido. Vai-se repetindo o mesmo procedimento mas fazendo os deslocamentos dos pontos centrais dentro de uma gama de valores que em cada iteração é igual a metade da anterior". Fonte: Wikipédia

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Uma animação com uma fractal que modela a superfície de uma montanha
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Os fractais da Natureza

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Palmeira sagu
Nuvens

Geometria


São formas geométricas abstratas de uma beleza incrível, com padrões complexos que se repetem infinitamente, mesmo limitados a uma área finita. Todas estas formas e padrões possuem algumas características comuns e há uma curiosa e interessante relação entre estes objetos e aqueles encontrados na natureza.

Um fractal é gerado a partir de uma fórmula matemática, muitas vezes simples, mas que aplicada de forma interativa produz resultados fascinantes e impressionantes. São formas que se caracterizam por repetir um determinado padrão com ligeiras e constantes variações (auto-similaridade)
Desenhos criados a partir de algoritmos (forma de geração de números) e podem apresentar uma infinidade de aspectos diferentes, não existindo uma aparência consensual. Contudo, existem duas características constantes nesta geometria: auto-semelhança e complicação fora do comum, complicação esta tão maior quanto maior for a complexidade da equação matemática que deu origem à figura. À parte do formalismo puramente matemático, pode-se definir Fractais, como nos ensinam algumas sumidades no assunto: “Objetos que apresentam auto-semelhança e complexidade infinita, ou seja, têm sempre cópias perfeitas de si mesmos em seu interior.”
A natureza é pródiga em utilizar fractais nas suas criações, é só verificar uma folha de samambaia, por exemplo, para constatar essa afirmação, qualquer pedacinho da folha é um retrato fiel do todo.
Os fractais das Samambaias
Galáxia um grande fractal
Leito de um rio e seus afluentes
Caramujo
Fractais na estrutura das árvores
Ramificação fractal dos pulmões
Essa é uma formula universal que rege desde as menores bactérias até as baleias azuis ou as grandes árvores sequoias. Toda forma de vida é sustentada por esta forma de ramificação fractal que otimiza a utilização de energia, otimiza a forma que o oxigênio, sistema neural, nutrientes são enviados pelo corpo vivo.
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Girassol - sementes


Conjunto de Mandelbrot

Embora não aparentem, os fractais podem ser encontrados em todo o universo natural e em toda a ciência, desde o aspecto das nuvens, montanhas, árvores e relâmpagos, até à distribuição das galáxias e à economia de stocks e mercados.
Assim, o impacto dos fractais e da geometria fractal é bem evidente, quer na engenharia, nas comunicações telefônicas, na química, na metalúrgica, na arte, na matemática e, até no estudo de doenças crônicas e noutros campos da medicina.Por exemplo, na década passada, alguns estudos revelaram que um coração saudável bate a um ritmo fractal e, que um batimento cardíaco quase periódico, é um sintoma de insuficiência cardíaca.


Nervuras de uma folha de mamão


A simetria da borboleta, a partir do ponto central do corpo


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Veredas: Oásis do Cerrado


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O que são Veredas

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O buriti ou miriti (nome cientifico: Mauritia flexuosa). Pode alcançar até 30 metros de altura e ter um caule com espessura de até 50 cm de diâmetro. A espécie habita terrenos alagáveis e brejos de várias formações, sendo encontrada com muita frequência nas veredas, importante fitofisionomia do Cerrado.
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Garça-grande-branca na folha do buriti - foto Elma Carneiro
Belíssimas flores do buriti - clique para redimensionar

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As Veredas são subsistemasdo bioma Cerrado, que podem ser entendidos como áreas pantanosas, formado geralmente por caminhos mal delimitados de água em solos hidromórficos, com presença da palmeira buriti (Mauritia vinifera e/ou M. flexuosa)

Uma das primeiras descrições das Veredas foi feita por von Martius,um alemão médico, botânico, antropólogo, cientista (formado em 1817) e um dos mais importantes pesquisadores alemães que estudaram o Brasil. Em suas viagens pelo Brasil (1817-1820), retratada em Viagem pelo Brasil, demonstrando um conhecimento das características físicas do ambiente do Cerrado e seus subsistemas: varredas a esses campos cobertos."Encontramos aqui uma palmeira flabeliforme, espinhosa, a carimá, (Mauritia armata, M.), o maior encanto do solo; e, além daquela aqui mais rara, o nobre buriti (Mauritia vinifera, M.).
O buriti bravo não oferece, como aquela outra, frutas comestíveis de polpa doce, cujo suco fermenta como vinho, mas é muito apropriado para construção do vigamento do telhado, nas cabanas dos habitantes. Além dessas,veem-se, aqui e acolá, grupos de palmeiras indaia (Attalea compta). Elas formam as primeiras matas de palmeiras, a cuja sombra nos atrevíamos a passar a pé, em seco, e seguros de não toparmos com jiboias, nem jacarés".

Clique nas imagens para ver detalhes do fruto (coco) do buriti

Um dos principais usos do Buriti é na culinária. A polpa é comestível e pode ser utilizada na fabricação de doces, sorvetes, sucos e geleias. As folhas servem como cobertura para telhados e as fibras (seda do buriti), usadas para a confecção de artesanatos.
Imagem colhida do site Olhos do Cerradoo qual sugiro que conheça as maravilhas do Cerrado.
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Guimarães Rosa, em sua obra Grande Sertão: Veredas, faz uma das melhores descrições perceptiva do ambiente de Veredas:

  [...] Saem dos mesmos brejos – buritizais enormes. Por lá, sucuri geme. Cada sucuriú do grosso: voa corpo no veado e se enrosca nele, abofa – trinta palmos! Tudo em volta, é um barro colador, que segura até casco de mula, arranca ferradura por ferradura. Com medo de mãe-cobra, se vê muito bicho retardar ponderado, paz de hora de poder água beber, esses escondidos atrás de touceiras de buritirama. Mas o sassafrás dá mato, guardando o poço; o que cheira um bom perfume. Jacaré grita, uma, duas, três vezes, rouco roncado. Jacaré choca – olhalhão, crespido do lamal, feio mirado na gente. Eh, ele sabe se engordar. Nas lagoas aonde nem um de asas não pousa, por causa de fome de jacaré e de piranha serrafina. Ou outra – lagoa que nem abre o olho, de tanto junco. Daí longe em longe, os brejos vão virando rios.
Buritizal vem com eles, buriti se segue, segue. Para trocar de bacia o senhor sobe por ladeiras de beira-de-mesa, entra de bruto na chapada, chapadão que não se desenvolve mais. [...].

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As Veredas estão secando no sertão de Minas Gerais, você já viu uma Vereda morta? 

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A presença da palmeira indica a existência de água, formando um oásis no meio do sertão. Veja mais sobre a extinção das Veredas na matéria Natureza da Globo em 19-10-2014 AQUI
Veredas ▬ áreas alagadas no Cerrado, cercadas de vegetação nativa, principalmente o buriti. Na imagem uma vereda com troncos dos buritis mortos e sem a folhagem. Veja mais sobre a extinção das Veredas na matéria Natureza da Globo em 19-10-2014 AQUI

Boaventura (1978, p. 111-112), ao caracterizar Vereda, chama a atenção para a necessidade de sua proteção em função de sua fragilidade, como descreve: Genericamente as veredas se configuram como vales rasos, com vertentes côncavas suaves cobertas por solos arenosos e fundo planos preenchidos por solos argilosos, frequentemente turfosos, ou seja, com elevada concentração de restos vegetais em decomposição. Em toda a extensão das veredas o lençol freático aflora ou está muito próximo da superfície. As veredas são, portanto, áreas de exudação do lençol freático e, por isto mesmo, em todas as suas variações tipológicas, são nascentes muito suscetíveis de se degradarem rapidamente sob intervenção humana predatória. Fonte: Observatório Geográfico de Goiás - UFG
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Importância das Veredas


  1. 1 - A importância primordial das veredas como recurso ambiental é o fato de serem áreas produtoras de água – nascentes que deveriam permanecer intocadas, em benefício dos rios a que dão origem e das comunidades bióticas que delas dependem.
  2. 2 - As veredas são subsistemas úmidos que participam do controle do fluxo do lençol freático.
  3. 3 - Sistema represador da água armazenada na chapada.
  4. 4 - Responsáveis pela manutenção e multiplicação da fauna terrestre e aquática.
Além disso...
  1. 1 - As veredas também possuem uma importância econômica e histórica.
  2. 2 -Importantes por serem determinantes para a fixação do homem no campo e desenvolvimento da região Cerrado.

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Córrego dentro da Vereda, foto de Evandro F. Lopes - As Veredas se constituem em importante subsistema do Cerrado, possuindo, além do significado ecológico, um papel sócio-econômico e estético-paisagístico que lhe confere importância regional.

Na natureza nada é em vão


As Veredas se constituem em importante Subsistema do Cerrado, possuindo, além do significado ecológico, um papel sócio-econômico e estético-paisagístico que lhe confere importância regional, principalmente quanto ao aspecto de constituírem refúgios fauno-florísticos e por ser ambientes de nascedouros das fontes hídricas do Planalto Central Brasileiro, abastecendo as três principais bacias hidrográficas do Brasil.

Vereda em Cavalcante de Goiás fotografada por Humberto Russo
Imagem de Humberto Russo
Foto do agente ambiental Humberto Russo em Cavalcante, um município brasileiro do estado de Goiás, localizado ao norte da Chapada dos Veadeiros, que abriga uma parte da comunidade Kalunga, dentro do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga.

A Vereda funciona como um filtro, regulando o fluxo de água, sedimentos e nutrientes, entre outros terrenos mais altos da bacia hidrológica e o ecossistema aquático. Pode ainda servir de refúgio para a fauna, numa área de ocupação agrícola e pecuária muito intensa, porém, a preservação das Veredas se impõe, sobretudo, pelo fato de que o equilíbrio dos mananciais d’água depende diretamente disto. Essa regulagem determina sua contribuição para o curso d’água, cuja área saturada se expande ou contrai, dependendo das condições da umidade depositada, ou seja, das precipitações e da capacidade de retenção e escoamento do solo.
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Foto - Bruno Rocha
No processo de ocupação do Cerrado, as Veredas eram vistas como áreas “perdidas” em função de seu aspecto brejoso. Diante disso, foram e continuam sendo constantemente queimadas para limpeza, plantações de culturas para subsistência e formação de pastagens a serem usadas no período da seca. Outros proprietários usam as Veredas como áreas para entulho de restos de desmatamentos. Mais recentemente, com o desenvolvimento de técnicas de irrigação, as Veredas têm sido utilizadas para construção de barragens com a finalidade de acúmulo de água a ser usada nos pivot e sistemas de irrigação.
Assim, vemos que não se cumpre o determinado na Legislação Brasileira, emitidas pelos órgãos “competentes”. Os órgãos institucionais auferidos da competência de gerir e fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental tem feito “vistas grossa” no que se refere à preservação das Veredas.

Mágico por do sol dentro de uma Vereda registrado pelo fotógrafo Evandro F. Lopes
As veredas constituem ecossistemas bem definidos que ocorrem no bioma do Cerrado brasileiro, e são caracterizadas pela presença do buriti em condições de drenagem pobre. As Veredas também podem ser consideradas feições geomorfológicas, porque elas somente ocorrem ao longo de vales pouco profundos, com baixa energia hidráulica e que alcançam dezenas de quilômetros, interligados aos sistemas de drenagem regionais do centro e de parte do sudeste brasileiros.

Parte de trechos extraídos do:  Observatório Geográfico de Goiás

Idelvone Mendes Ferreira –
Prof. Dr. do Curso de Geografia UFG/Campus de Catalão

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